Voltar ao trabalho ou ficar com o bebê em casa?

Lindo texto escrito pela minha amiga Mari do blog Caderninho da Mamãe.


Quase sempre, quando nasce um filho nasce também um dilema para aquela mulher que tornou-se mãe: voltar a trabalhar ou ficar com o bebê em casa?

Eu sei, a gente se faz mil perguntas nessa hora: se eu for trabalhar fora, com quem vou deixar o bebê? O que seria melhor e mais seguro: contratar alguém pra cuidar dele ou colocá-lo num berçário? E se meu filho sentir muito a minha falta Se eu decidir não voltar ao trabalho, como vou pagar as contas?

É realmente muita pressão sobre a gente. E só sobre a gente. Pois se pararmos pra pensar um pouco mais vamos perceber que por trás de vários conceitos e ditados a cerca da maternidade – incluindo aquele de que “só mãe sabe cuidar assim” – existe uma carga muito mais pesada de responsabilidade sobre as mulheres.

Pense bem: quantas pessoas você vê perguntar para um pai “grávido” sobre o seu futuro profissional depois que o bebê nascer? Quantas famílias você conhece em que o pai resolve tirar algum tempo fora do trabalho pra cuidar do filho enquanto a mãe sai para trabalhar fora e realizar seus sonhos profissionais? Imagino que nenhuma.

Pois bem, sabendo disso, voltemos então ao nosso dilema inicial: trabalhar ou cuidar dos filhos (e da casa)? Infelizmente, sei que muitas mães não têm sequer a chance de escolha, pois deixar de trabalhar não é uma possibilidade. Mas vou contar um pouquinho da minha experiência, já tendo vivido as duas realidades – na verdade três: a de trabalhar fora, de me dedicar exclusivamente à minha filha e a de me dividir entre as duas coisas.

Quando tudo começou

Quando fiquei grávida, trabalhava em uma agência recém inaugurada e gostava muito do que fazia e de tudo que podia aprender lá. Por isso, sempre tive na cabeça que voltaria ao trabalho depois da licença-maternidade, e assim o fiz. Claro que a adaptação inicial foi difícil, sentia falta de passar o dia todo curtindo a cria, cuidando dela. Mas tive a sorte de encontrar uma pessoa de muita confiança pra cuidar da Clara – e de ter o total apoio do meu marido (incluindo financeiro), o que foi fundamental pra que eu voltasse a trabalhar tranquila e sem culpa.

Quando começou a mudar

Assim foi por um ano e meio, quando eu comecei a repensar algumas coisas e sentir falta de acompanhar mais de perto o desenvolvimento da Clara. De repente não sentia mais aquele prazer em trabalhar, sabe? Achava que estava perdendo uma fase preciosa da minha filha e que, já que poderia ter essa possibilidade, seria melhor ficar mais pertinho dela. Saí do trabalho e me tornei “mãe em tempo integral” (não sei se gosto muito desse termo, pois mesmo longe dos filhos, somos sempre mãe em tempo integral, né?). Coincidentemente, a moça que cuidava da Clara precisou voltar pra cidade dela na mesma época, então agora éramos só nos duas (marido mora e trabalha em outra cidade, então só está em casa nos finais de semana).

Mãe em tempo integral

Foi uma fase muito gostosa. Pela primeira vez na vida eu não me sentia mal por não estar trabalhando e ganhando meu dinheiro. Entendia que a minha presença naquele momento era o melhor investimento que poderia fazer pela minha filha – e por mim mesma! E, vamos combinar, cuidar de uma criança e da casa está longe de ser “não trabalhar”, né? Pelo contrário, quem já viveu isso sabe que a gente cansa muito mais em casa do que saindo pra trabalhar fora todo dia rs

Cuidar e formar uma criança é, definitivamente, um trabalho muito grande, importante e também extremamente gratificante!

Nenhuma decisão é para sempre

Pois bem, passado 1 ano e meio dessa dedicação exclusiva, surgiu a chance de voltar a trabalhar fora meio período. Clara já estudava há um tempo na parte da tarde, eu tinha voltado a sentir falta de “respirar novos ares” e achei que seria a oportunidade perfeita pra “voltar ao mercado”, sem deixar de dar atenção à Clara em casa.

E, de fato, foi  bem bacana, pois permitia me sentir profissionalmente ativa e ao mesmo tempo não me sentia ausente na criação da Clara. Fiquei dois anos na empresa e em setembro passado, depois de muito pensar, resolvi pela primeira vez na vida pedir demissão, rs.

Atualmente, trabalho em home office, fazendo alguns frilas e prestando serviço pra essa mesma empresa. Não vou negar, financeiramente falando não é o melhor cenário, mas por enquanto estou feliz de poder trabalhar de casa

Toda experiência é válida

Como vocês podem ver, já vivi muitas experiências e fases diferentes nesses meus quase 6 anos como mãe e profissional. Aprendi muito e mudei de ideia algumas vezes também. Hoje, se me perguntam se eu faria tudo do mesmo jeito, respondo que muito provavelmente não! Se tiver outro filho, por exemplo, penso que não voltaria a trabalhar fora tão cedo, caso possa escolher.

Veja bem, não acho que a criança irá crescer traumatizada se a mãe tiver que deixá-lo aos cuidados de outra pessoa pra ir trabalhar, mas realmente a nossa presença nesses primeiros dois anos de vida dela é ainda mais importante. O ideal seria que todas as mulheres tivessem a oportunidade de se dedicar aos filhos por pelo menos 1 ano, amparadas financeira e emocionalmente também, pra viver isso em sua plenitude. Mas sabemos que isso ainda é privilégio de poucas, infelizmente.

O conselho de mãe para mãe

Então, se pudesse dar um conselho a você, mãe, que está vivendo esse dilema diria o seguinte: se você puder escolher ficar com seu filho nesse primeiro momento e se sentir feliz assim, fique! Mas tente não se afastar do restante do mundo. Eu sei que a maternidade pode ser muito solitária, mas procure se juntar a outras mães, outras pessoas, conte com a ajuda delas e aproveite muito essa fase, que é tão preciosa na vida do seu filho. Esteja consciente que talvez as contas fiquem mais apertadas, que você provavelmente terá que abrir mão de algumas coisas, mas que nada paga a alegria de poder ouvir seu filho dizer as primeiras palavras, dar os primeiros passos e conquistar pequenas e grandes coisas todos os dias.

Agora, se você não tem outra escolha a não ser voltar a trabalhar, vá com a certeza de que você está fazendo o que pode de melhor pelo futuro dele também.Seu filho não irá te amar menos (nem pense nisso!) ou ficar traumatizado. Tente estar o mais próxima possível dele, nos momentos em que estiverem juntos, aproveite muito os finais de semana e cada minutinho com ele pra mostrar que estará sempre presente e, tenha certeza, tudo dará certo!

A princípio pode ser difícil, eu sei que é angustiante pensar que a licença maternidade está acabando e que você terá que se afastar do seu bebê durante boa parte do dia, mas pense que na maioria das vezes nós é que somos mais dependentes deles do que o contrário. Se ele estiver bem cuidado, onde ou com quem você confia, ele vai se adaptar à nova rotina e ficará bem.

Enfim, nessas horas temos que pensar, avaliar e optar por aquilo que está ao nosso alcance. Independente da sua escolha, pense que você está fazendo o seu melhor – e que seu filho saberá reconhecer isso mais tarde. Aliás, você mesma verá que todo o seu trabalho pensando no melhor pro seu filho terá valido à pena!


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